American Horror Story: Hotel | Crítica

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No início de 2013, uma estudante canadense desaparecida foi encontrada morta, há vários dias, dentro da caixa d’água do Hotel Cecil, em Los Angeles. A morte da moça foi cercada de mistérios, piorados pelo perturbador vídeo de segurança do elevador, que capta o que parecem ser seus últimos momentos em vida. Essa notícia chegou até o criador de American Horror Story e acabou sendo o ponto de partida para a execução da quinta temporada da série.

No ano passado, Jessica Lange, a grande estrela do elenco da série, anunciou que Freak Show seria sua última temporada. Para substitui-la o produtor Ryan Murphy decidiu surpreender… Ninguém esperava que Lady Gaga fosse escolhida para protagonizar o ano cinco, ainda que toda a cultura que a envolve seja ligada ao bizarro. Doze episódios depois e com um Globo de Ouro de melhor atriz na conta, essa acabou se revelando uma decisão acertada.

Na trama da temporada, nada de mulheres encontradas em caixas d’água. O inferno de Elisa Lam serviu apenas como ponto de partida. Como sempre acontece com a série, um punhado de referências de cultura pop foram distribuídos por uma trama curiosa: morrer pode significar renascer em uma inesperada transformação. O Hotel Cortez é o cenário macabro que resguarda décadas de crimes e desaparecimentos. Nele, estão escondidos os segredos em torno de uma nova onda de assassinatos que a imprensa já chama de Crimes dos Dez Mandamentos.

Check In

American Horror Story sempre trabalha com uma quantidade grande de alegorias e suas tramas são extremamente fragmentadas entre os episódios. Depois de uma estreia de temporada das mais loucas que a série já fez, que adiantou o clima de horror da temporada, AHS mostrou que continua sem medo de atravessar certas fronteiras. No hotel, que só recebe prostitutas, suicidas e viciados, a morte ronda como parte de sua história decadente. Esse é o paralelo definitivo deste ano… Aquele lugar por onde as pessoas, em teoria, apenas passariam, tem seus hóspedes definitivos.

O Cortez tem vários hóspedes cativos invisíveis e apenas um palpável. A Condessa (Lady Gaga) é uma mulher elegante, misteriosa e mortal. Ela desfila pelos corredores ao lado do companheiro Donovan (Matt Bomer) e há a respeito dela uma bizarra particularidade: contaminada com o que ela chama de vírus, precisa de sangue humano para viver. O vampirismo, então, surgiu como escolhido para embasar a grande metáfora da temporada: existem formas sombrias e mórbidas de renascer. Através da Condessa e de todos os outros personagens centrais, vamos sendo conduzidos por um emaranhado de conceitualizações distorcidas de maternidade e nascimento. O vampiro, essa criatura que nasce a partir da morte, serve perfeitamente aos propósitos dos roteiristas, que conseguem sustentar essa premissa do início do fim.

Todos os coadjuvantes sofrem alguma grande ruptura num determinado ponto da vida e renascem para uma existência peculiar. Seja sendo transformado num vampiro, assumindo a transexualidade ou morrendo dentro dos domínios do hotel, o que, tal qual no primeiro ano, significa permanecer perambulando pelos corredores. E todas essas transformações estão ligadas à Condessa, uma espécie de catalisadora de mudanças, numa alusão a ela mesma, que revela-se, lá pelo meio da temporada (num episódio que invoca deliciosos mitos hollywoodianos da época do cinema mudo), uma mulher que quis apenas “ser especial”.

Check Out

Hotel foi uma temporada com o clássico de AHS: muitas figuras reais se misturando com a ficção, e o jantar de Halloween cheio de serial killers icônicos da história americana foi um dos grandes momentos do ano. A mitologia da primeira temporada foi respeitada e vários elementos e personagens de outros anos convergiram na mesma dramaturgia. Também foi um ano de ousadias visuais polêmicas, como o Demônio do Vício estuprando dependentes e o massacre de professores, cometidos pelos próprios alunos de uma escola infantil. A segurança do show e seu formato crescem tanto, que não só temos os mesmos atores vivendo novos personagens a cada ano, como vimos os mesmos atores vivendo dois personagens diferentes numa mesma temporada… No caso de Sarah Paulson, num mesmo episódio.

Colocados em perspectiva, os detalhes são muitos e se conduzem pelas semanas de forma aparentemente descontrolada. Não é incomum ver espectadores dizerem que só começaram a gostar da temporada depois da metade. Isso é resultado do momento em que as peças começam a se juntar e o enredo ganha plenitude. Mais importante, é ter um olhar que abrace todo o investimento alegórico da série, que toma decisões baseadas no seu valor estético e conceitual.

O exemplo mais importante disso é justamente a personagem de Lady Gaga. Muito foi dito a respeito do valor de sua interpretação, sobretudo após a vitória no Globo de Ouro. À parte as técnicas de interpretação que ela demonstra dominar, é preciso reafirmar que a personagem criada para protagonizar a temporada parte de uma alegoria referencial cinematográfica. A Condessa Elizabeth fora uma atriz de cinema mudo antes de transformar-se, viveu com grandes ícones da arte e da moda e nenhuma outra atuação baseada nisso faria sentido se fosse visceral demais. Como vários imortais da cultura pop, ela tem um olhar austero, uma elegância incisiva, um olhar frio e um esnobismo inerente. Talvez se tivesse sido vivida por Jessica Lange, seguindo essas mesmas diretrizes, não houvesse questionamentos. Mas, por não ser uma atriz experiente e ser um ícone pop do desconforto e do atrevimento, Gaga foi constantemente acusada de estar “vivendo a si mesma”.

Com um season finale escrito para amarrar todas as pontas soltas e ainda fazer um pouco mais de poesia involuntária, American Horror Story Hotel fez seu check out com apenas 12 episódios, evitando o décimo-terceiro andar, como fazem vários outros hotéis ao redor do mundo. Novamente, a próxima temporada é uma grande incógnita. O fato é que o Globo de Ouro mostrou mais uma vez o poder de Ryan Murphy, que continua sendo um dos showrunners mais bem sucedidos da TV americana.

O artigo American Horror Story: Hotel | Crítica foi originalmente publicado em http://omelete.uol.com.br/series-tv/historia-de-horror-americana-2011-/criticas/?key=104451

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