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dez 22

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Após dois anos, cúpula do futebol começou a ser julgada no Caso Fifa

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No processo de limpeza dos bastidores do futebol mundial, o Caso Fifa teve desdobramentos importantes em 2017. Em um esforço para demonstrar que é vítima de dirigentes mal-intencionados, e não uma organização criminosa, a entidade que comanda o esporte entregou em março à Justiça dos Estados Unidos e da Suíça o resultado de quase dois anos de investigações internas, em um documento de mais de 1.300 páginas.


“A Fifa se comprometeu a realizar uma investigação completa e abrangente dos fatos, para que pudéssemos responsabilizar os malfeitores do futebol e cooperar com as autoridades”, afirmou na época o presidente da Fifa, Gianni Infantino. “Concluímos essa investigação e entregamos as provas às autoridades, que continuarão a perseguir aqueles que se enriqueceram e abusaram de suas posições de confiança no futebol. A Fifa vai agora voltar o seu foco para o jogo, para os torcedores e jogadores em todo o mundo.”


Morte de peça-chave


Enquanto as investigações continuavam, uma das peças-chave do caso morreu: o dirigente norte-americano Chuck Blazer. Ex-membro do Comitê Executivo da Fifa, Blazer, 72 anos, foi o primeiro delator do escândalo de corrupção que veio à tona em maio de 2015. Ele havia confirmado o pagamento de propina para que as sedes das Copas de 1998 (França) e 2010 (África do Sul) tivessem vantagens na disputa contra as demais concorrentes.


Marin no banco dos réus


Mas foi no fiM de 2017 que o Fifagate (como o caso ficou conhecido, em referência a outro caso emblemático de corrupção nos EUA, o Watergate) revelou seus principais capítulos. Em novembro, dois anos e meio após a eclosão do escândalo na Suíça, três dos 42 réus no processo começaram a ser julgados no Tribunal do Brooklyn, em Nova York: José Maria Marin (ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol), Manuel Burga (ex-presidente da Federação Peruana de Futebol) e Juan Ángel Napout (ex-presidente da Conmebol). Todos se declararam inocentes.


O procurador-assistente dos Estados Unidos, Keith Edelman, disse a membros do júri que os cartolas foram parte de uma conspiração para aceitar propinas de empresas de marketing esportivo em troca de lucrativos direitos de marketing para torneios de futebol, incluindo a Copa América e a Copa Libertadores.


Marin foi detido em 27 de maio de 2015, em Zurique. Depois de cinco meses, foi extraditado aos Estados Unidos, onde, desde então, cumpre prisão domiciliar em seu apartamento na 5.ª Avenida, no arranha-céu Trump Tower, em uma das regiões mais valorizadas de Nova York.


A defesa do brasileiro passou os últimos anos tentando, em vão, enfraquecer a acusações contra ele. O dirigente pediu, por exemplo, à Justiça norte-americana a anulação da acusação de participação de “grupo conspiratório”, o equivalente à formação de quadrilha no Brasil, o que pode agravar a sua pena, e teve o recurso indeferido.



Presidente da CBF envolvido


Já com o julgamento em pauta na Corte do Brooklyn, os advogados de Marin buscaram distanciar o dirigente da acusação de recebimento de propina em contratos relacionados à Copa do Brasil, Libertadores e Copa América e afirmaram à juíza Pamela Chen que quem tomava as decisões na CBF era Marco Polo Del Nero, então vice-presidente e atual comandante da entidade.


“Marin sempre estava com Del Nero. Mas era Del Nero quem tomava as decisões. Marin estava fora, estava à margem”, disse o advogado Charles Stillman. O advogado comparou a corrupção no futebol internacional a um jogo de futebol infantil do qual Marin não participou. “Ele era como o jovem do lado de fora do campo, colhendo margaridas e olhando ao redor enquanto outros estavam correndo a pleno vapor”, disse.


A defesa de Del Nero negou a participação do seu cliente em atos ilícitos e reafirmou que o presidente da CBF não é réu no processo.


Globo citada 14 vezes


O processo na Justiça norte-americana revelou também a participação da Rede Globo no escândalo de corrupção; a emissora carioca foi tema recorrente nos depoimentos prestados. Em documento obtido pelo R7, a Globo foi citada 14 vezes por Alejandro Burzaco, ex-diretor da empresa de marketing Torneos y Competencias e um dos principais delatores do escândalo de corrupção que corroeu as estruturas do futebol mundial.


De acordo com Burzaco, a Globo pagou 15 milhões de dólares em propinas (cerca de R$ 50 milhões) para assegurar exclusividade na transmissão das Copas do Mundo de 2026 e 2030. O dinheiro teria sido enviado por meio do ex-diretor Marcelo Campos Pinto para a T&T, braço na Holanda da empresa de Burzaco em associação com a brasileira Traffic, de J. Hawilla, e posteriormente repassado para uma conta na Suíça de Julio Grondona, ex-presidente da Associação de Futebol Argentino e ex-vice-presidente da Fifa responsável por cuidar dos direitos de transmissão para a América Latina. Grondona morreu em 2014.


No documento da corte de Nova York que contém a transcrição do depoimento, Alejandro Burzaco também revela as propinas pagas aos réus do caso, entre eles José Maria Marin, que teria recebido 2,7 milhões de dólares (R$ 8,95 milhões). Além disso, o delator relatou um encontro ocorrido em 2013, durante reunião do Comitê Executivo da Fifa, com Marco Polo Del Nero, Marin e J. Hawilla. Na ocasião, os dirigentes brasileiros teriam reclamado do atraso do pagamento de propinas relacionadas à venda de direitos de transmissão.


Participação de patrocinador da seleção


Principal patrocinadora da seleção brasileira e suspeita de pagar suborno em contratos com a CBF, a Nike foi citada no depoimento de Luis Bedoya, ex-presidente da Federação Colombiana de Futebol. De acordo com o cartola, a empresa de material esportivo teria oferecido propinas para fechar contrato com a seleção colombiana em 2010. A proposta teria ocorrido durante uma reunião de Bedoya com um represente da companhia em Buenos Aires, na Argentina. Apesar da suposta tentativa de suborno, os Cafeteros fecharam com a Adidas, principal concorrente da Nike.


Líder da indústria de material esportivo, a Nike já é investigada pela Justiça dos Estados Unidos pelo contrato com a seleção brasileira avaliado em 160 milhões de dólares (R$ 515 milhões). Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, é suspeito de ter dividido com o empresário J. Hawilla, da Traffic, empresa de marketing esportivo, uma propina de 30 milhões de dólares (R$ 96 milhões) por terem fechado o acordo recordista em cifras em 1996. Um dos intermediários do negócio foi o então chefe da Nike no Brasil, Sandro Rosell, que anos mais tarde seria o presidente do Barcelona e amigo íntimo de Teixeira.


Delação explosiva de J. Hawilla


Quem também revelou como funcionava a negociata inescrupulosa no alto escalão do futebol mundial foi o executivo brasileiro J. Hawilla, proprietário da empresa de marketing esportivo Traffic e acionista da TV TEM, afiliada da Rede Globo no interior de São Paulo. Em 2014, Hawilla passou a colaborar com as autoridades americanas, se declarou culpado por crimes de corrupção e obstrução de Justiça e concordou em pagar 151 milhões de dólares (R$ 494 milhões) ao governo dos Estados Unidos.


Em seu depoimento, ele assumiu ter pago subornos a dirigentes esportivos desde 1991, quando firmou o segundo contrato de sua empresa com a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) pelos direitos de transmissão da Copa América de 1993 a 1997. O executivo disse não recordar exatamente os valores, mas estimou ser algo entre 400 mil dólares e 600 mil dólares (R$ 1,3 milhão e R$ 1,8 milhão em valores atuais).


“Foi um erro. Me arrependo muito. Abriu-se a possibilidade de pedirem mais dinheiro cada vez que um contrato se renovava”, resumiu o ex-diretor da Traffic no Tribunal do Brooklyn.


Além disso, J. Hawilla confirmou depósitos a Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, por intermédio de doleiros. Ele começou pagando 1 milhão de dólares (R$ 3,2 milhões), depois aumentou para 1,2 mi, 1,5 mi, 2 mi, 2,5 mi e finalmente 3 milhões de dólares (R$ 9,7 milhões). Teria pago propina também para garantir que a seleção brasileira enviasse seus melhores atletas à Copa América — o mesmo foi feito com Julio Grondona, ex-presidente da AFA, e a equipe da Argentina.


“Fundei uma empresa. Paguei milhões em subornos a dirigentes. Ganhei muito dinheiro. Fui preso, menti ao FBI [Polícia Federal dos EUA]. Resolvi colaborar. Gravei pessoas. Me arrependo muito”, finalizou J. Hawilla em seu depoimento.



Outro brasileiro implicado


O dono da Traffic também apresentou gravações telefônicas entre ele e o ex-presidente do Flamengo Kléber Leite, da Klefer Marketing Esportivo. Os grampos indicam que os executivos brasileiros teriam discutido o pagamento de subornos para o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e seus antecessores José Maria Marin e Ricardo Teixeira.


Em um dos áudios, que seria de 2014, Hawilla teria tentado induzir Leite a assumir sua participação no esquema de corrupção, no que o interlocutor, suspeito, respondeu: “Acho que por telefone é perigoso, sabe? Melhor falarmos sobre isso pessoalmente”, afirmou Kléber Leite.


O Jornal da Record teve acesso aos áudios apresentados ao tribunal de Nova York pelo delator do caso Fifa. (Clique aqui para ouvir).

Vale lembrar que os direitos de transmissão da Copa do Brasil de 2013 e 2014 foram adquiridos pela Traffic, porém, meses depois a empresa de J. Hawilla e a Klefer firmaram um acordo para compartilhar custos e lucros da competição entre 2013 e 2022. 


Com as propinas devidamente pagas, o delator brasileiro gravou secretamente José Maria Marin durante um jantar em Miami, em abril de 2014, e perguntou ao então presidente da CBF sobre o pagamento do suborno. “Nós resolvemos tudo”, teria respondido Marin. “Foi muito bom”, completou o ex-presidente da CBF.


O que dizem os acusados


Por nota, a Rede Globo negou todas as acusações e afirmou que “não é parte nos processos que correm na Justiça norte-americana”; os advogados de José Maria Marin refutam a participação de seu cliente em qualquer evento ilícito; José Roberto Batochio, que defende Del Nero no caso, afirmou que no período compreendido pela investigação seu cliente não era presidente da CBF e, portanto, não assinou contratos sob suspeita; Ricardo Teixeira também diz serem inverídicas as acusações contra ele, mas não descarta comparecer à Corte caso seja intimado formalmente; Kléber Leite respondeu à reportagem por meio de um comunicado da Klefer, no qual a empresa acusa a denúncia de Hawilla de “mentirosa e irresponsável”; a Nike se pronunciou por meio da porta-voz da empresa, Ilana Finley, que repudiou “qualquer forma de manipulação ou propina” e afirmou que a empresa “está e seguirá cooperando com as autoridades”; J. Hawilla se declarou culpado e concordou em devolver R$ 494 milhões às autoridades norte-americanas.


 


 


 


 


 





 


 


 


 


 

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