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fev 05

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American Crime Story e a romantização do caso que colocou racismo contra a verdade

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Em dezembro de 2015, a plataforma de streaming Netflix, lançou para o mundo a realidade ambivalente da vida de Steven Avery, um interiorano marcado por uma história de abuso de autoridade que, depois de passar 18 anos na cadeia por um crime que não cometeu, volta ao banco dos réus como protagonista de uma trama que envolve mais perseguição e dúvida. Aquele caso mostra o sistema judiciário fazendo tudo para acusar um homem com muitos indícios de inocência – já em American Crime Story: The People V. O.J. Simpson, enquanto a culpa espreita sobre quase todas as frestas, uma Los Angeles ferida pelo racismo, luta pela liberdade de seu acusado.

O sucesso das temporadas de American Horror Story proporcionou ao criador da série, Ryan Murphy, a chance de levar adiante o projeto de uma nova antologia, com histórias fechadas por temporada, um elenco de peso e um pano de fundo real. American Crime Story tem a chancela do showrunner, mas Murphyde fato, só dirige alguns episódios e supervisiona os roteiros de Scott Alexander Larry Karaszewski, responsáveis por adaptar o livro Run of his Lifede Jeffrey Tobin, um relato conciso dos eventos que culminaram no crime e no julgamento que acabou se tornando um espetáculo a parte.

Em junho de 1994, Nicole Brown Simpson (Kelly Dowdle), a ex-mulher do ex-jogador de futebol e então astro de cinema O.J. Simpson (Cuba Gooding Jr.), foi encontrada morta em frente a própria casa junto do amigo Ron Goldman. Eles foram esfaqueados com voracidade na primeira hora da madrugada. A quantidade considerável de evidências contra o ex-marido da vítima levaram a polícia a decretar a prisão de O.J., que acabou iniciando um espetáculo midiático histórico ao ter sua fuga televisionada ao vivo ao redor do mundo e servindo de bandeira afro-americana contra os abusos racistas da polícia da cidade de Los Angeles.

Tensões Raciais

O primeiro episódio de American Crime Story, dirigido por Ryan Murphy, começou mostrando matérias de televisão que cobriram os seis dias corridos de conflitos entre população e polícia, na periferia de Los Angeles, após os quatro policiais que espancaram o taxista negro Rodney King terem sido absolvidos. O momento é recortado e editado para iniciar a história porque essa é uma informação importante para ser guardada e usada mais adiante, quando a cidade se encontra novamente numa situação em que a condenação de um homem negro por ter supostamente matado sua esposa branca, pode gerar uma reação em cadeia ainda pior. Los Angeles era conhecida como uma cidade racista e agora precisava acusar de homicídio um astro carismático e sedutor que era o símbolo do afro-americano bem-sucedido.

Foi a melhor abordagem possível para esse começo, porque as motivações que guiam o processo contra Simpson estão sempre imersas nessas questões raciais, mesmo que de modo velado. O caso ficou famoso não só porque tratava-se de uma celebridade, porque ele foi defendido por um time notório de advogados ou porque sua fuga foi transmitida ao vivo na TV. O caso ficou famoso porque a forma como as evidências contra O.J. foram sendo soterradas pela discussão racial, beirou a insanidade. Se em Making a Murderer as especulações falam de um homem supostamente inocente sendo esmagado por uma conspiração, em American Crime Story as especulações apontam a quase certeza de uma culpa, enquanto a conspiração se move para impedir a condenação.

Esse aspecto torna a série completamente coesa e a escolha desse crime para a primeira temporada segue a métrica de American Horror Story: um tema que se passe em Los Angeles e que afete a América no reconhecimento de sua identidade – o que é muito reforçado pela direção e pelo texto. A mão de Murphy é pesada, se arrisca em closes dramáticos e planos rastejantes, mas conduz o espectador por um clima de tensão que é angustiante. Essa sensação de sufocamento aumenta quando a produção consegue reproduzir com detalhes o local do crime e a violência com que foram deixados os corpos de Nicole e Ron. Toda a reprodução de época, de locações e de personagens, é extremamente competente. Impressiona de verdade. E a história de O.J. vai se construindo com várias camadas: o astro carismático, o marido violento, o réu exasperado, o pai consternado… Todas as versões do mesmo homem sendo transpostas a cada nova sequência.

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