«

»

set 08

Imprimir Post

Aposta da Globo em autores novatos deixa veteranos em segundo plano

Confira as principais fofocas globais, Aposta da Globo em autores novatos deixa veteranos em segundo plano veja todos os detalhes aqui.

O autor Silvio de Abreu, diretor de Teledramaturgia da Globo desde o final de 2014

A estreia de “Éramos Seis” no final de setembro será a primeira novela que Angela Chaves assina sozinha na Globo. Segundo as contas da emissora já são quase 20 novos autores desde que Silvio de Abreu assumiu a direção de Teledramaturgia, no final de 2014. Ela foi coautora, junto com Alessandra Poggi, da supersérie “Os Dias Eram Assim” (2017).

Há um mês, durante a inauguração dos novos estúdios da Globo, Silvio festejou: “Fico muito feliz de, desde ter assumido aqui, já ter revelado 17, 18 novos autores. Porque eu achava que uma das coisas que faria a novela ter continuidade seria ter novos autores, novas ideias, porque senão o gênero iria morrer”.

A lista de “novos autores” inclui vários roteiristas que já colaboravam há anos com autores veteranos da Globo. Quinze destes novatos são: Suzana Pires e Júlio Fischer (“Sol Nascente”), Thereza Falcão e Alessandro Marson (“Novo Mundo”), Ângela Chaves e Alessandra Poggi (“Os Dias Eram Assim”), Paula Amaral (“Verão 90”), Daniel Adjafre (“Deus Salve o Rei”), Claudia Souto (“Pega Pega”), Maria Helena Nascimento (“Rock Story”), Mario Teixeira (“Liberdade, Liberdade”), Manuela Dias (“Ligações Perigosas”), Bruno Luperi (“Velho Chico”), Maria Camargo (“Dois Irmãos”) e Cao Hamburger (“Malhação, Viva a Diferença”).

Silvio de Abreu não mencionou, mas a aposta em novos autores tem, também, uma razão econômica. Com contratos antigos, os autores veteranos, muitos há mais de três décadas na emissora, custam caro. Alguns produzem uma novela a cada três anos; outros, nem isso. E ganham mesmo nos períodos em que não estão no ar.

Nestes quase cinco anos à frente da Teledramaturgia, Silvio rejeitou ou engavetou inúmeros projetos de novelas e séries apresentados por autores veteranos. A dificuldade em emplacar novos projetos atinge nomes como Gilberto Braga, Benedito Ruy Barbosa e Walter Negrão, que conseguiram aprovar apenas um título cada, respectivamente, “Babilônia”, “Velho Chico” e “Sol Nascente”. Para não falar de Manoel Carlos, cujo último trabalho, “Em Família”, é anterior à chegada do novo executivo ao cargo.

Não passou despercebido que neste período Silvio de Abreu aprovou o “remake” de duas novelas suas, no que pode ser chamado de agir em causa própria. Além de “Éramos Seis”, escrita em parceria com Rubens Ewald Filho e exibida pelo SBT em 1994, ele também deu sinal verde para “Haja Coração” (2016), reescrita por Daniel Ortiz com base em “Sassaricando” (1987-88). Em 2012, antes de assumir o cargo, ele próprio reescreveu o remake de outra trama sua, “Guerra dos Sexos” (1983).

Benedito Ruy Barbosa, após três anos de contrato sem conseguir emplacar nada, contou a Flavio Ricco em agosto que vai se aposentar. O público não vê algo seu na emissora desde “Velho Chico” (2016).

Walter Negrão tem contrato até 2020 e a promessa de fazer uma série no ano que vem, mas pouco se sabe a respeito. Seu último trabalho, em parceria como os novatos Suzana Pires, Júlio Fischer, foi “Sol Nascente” (2016-17).

Após algumas rejeições, Gilberto Braga conseguiu a aprovação para escrever, junto com Denise Bandeira, uma novela das 18h, ambientada nos anos 1920, baseada no romance “Vanity Fair”, de William Makepeace Thackeray. Fala-se de um folhetim de 100 capítulos com estreia programada para o segundo semestre de 2020. O público não vê nada do autor desde “Babilônia” (2015).

O caso de Gloria Perez é o mais curioso de todos. Após o sucesso de “A Força do Querer” (2017), a autora foi convidada por Silvio de Abreu, em fevereiro de 2018, a supervisionar a criação de séries da emissora.

Ao longo de mais de um ano, apenas dois novos projetos que contaram com a sua supervisão direta foram aprovados, a segunda temporada de “Os Experientes”, escrita por vários autores, e “Eu, Minha Avó e a Boi”, que será feita por Miguel Falabella – outro veterano, aliás, que já fala em deixar a emissora porque não consegue aprovação para os seus projetos.

Em abril deste ano, Gloria saiu da área de séries para cuidar da “supervisão e mentoria”, nas palavras da Globo, de Alessandra Poggi, que escrevia uma novela para as 21h. Um mês depois, a autora divulgou no Twitter que está escrevendo a sua própria novela, sobre a relação dos homens com a tecnologia. Em julho, foi divulgado que o projeto de Alessandra Poggi virou uma novela das 18h, programado para 2021.

Stycer recomenda
. Alice Wegmann faz terapia para viver vilã em Órfãos da Terra: “Não é fácil”
. Mulherengo, agressivo e machista: galã de Por Amor não seria aceito hoje
. Jornal Nacional faz 50 anos: 14 mil vezes “boa noite”
. Gloria Pires se compara à Lola de Éramos Seis: “Nenhuma mãe é perfeita”

O pior da semana
Roda Viva com Greenwald discute mais métodos do que conteúdo da Vaza Jato

O melhor da semana
Monalisa Perrone é a primeira perda importante da Globo para a CNN Brasil

Uma versão deste texto foi publicada originalmente na newsletter UOL Vê TV, que é enviada às quintas-feiras por e-mail. Para receber, gratuitamente, é só se cadastrar aqui.

Siga o blog no Facebook e no Twitter.

A matéria Aposta da Globo em autores novatos deixa veteranos em segundo plano foi originalmente publicado em http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/09/08/aposta-da-globo-em-autores-novatos-deixa-veteranos-em-segundo-plano/

Link permanente para este artigo: http://hidracthair.com/produtos/aposta-da-globo-em-autores-novatos-deixa-veteranos-em-segundo-plano/