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set 09

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As contradições de Mr. Catra: gangsta, gospel e pornográfico

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Faleceu Mr. Catra, músico que constantemente conseguiu se sobressair aos limites do funk para se tornar um ícone pop. Cheio de idiossincrasias, flertou com músicas de protesto, homenagens a grupos criminosos, exaltou a religiosidade e cantou como poucos os prazeres da carne. Por vezes, tudo isso em um mesmo disco.

O cantor foi a personificação das mais variadas contradições do próprio Brasil. Aproveito o triste ensejo para exaltar uma fase pouco lembrada de sua carreira, dos primeiros discos, quando as temáticas envolvendo criminalidade e fé já colocavam Catra entre as vozes mais curiosas de nossa música.

Mr. Catra Racional: a esquecida fase gospel do funkeiro

Um jovem Mr. Catra (Foto: Divulgação)

Em dado momento dos loucos anos 70, Tim Maia resolveu que já havia se divertido demais e acabou entrando para a seita Cultura Racional. O breve período de fé professada por um dos mais elevados nomes da música mundial garantiu discos até hoje celebrados como fundamentais.

Oriundo da mesma Tijuca que nos presenteou com o saudoso Dom Maia, Mr. Catra também se encantou pelos desígnios divinos, o que rendeu ótimas passagens de sua pitoresca discografia.

Os dois primeiros trabalhos de Catra, “Bonde do Justo” de 1994 e “O Esconderijo do Altíssimo” de 1996, traziam todo o sincretismo microfonado de nossa cultura popular.

Entre alguns famigerados proibidões, com crônicas saborosas sobre o cotidiano da bandidagem, o funkeiro até mantinha a libido sob controle. Pouca coisa do primeiro álbum remete ao artista que lançaria sutilezas pós-eróticas como “Pepeka Chora” e “Senta em mim”.

O clássico “Retorno de Jedi”, além da curiosa referência a Star Wars, abre com uma insuspeita citação ao salmo 23. E não para por aí: a música apresenta os perfis daqueles que não merecem ser salvos.

Bolidor, tu vai e o retorno é de Jedi
X-9, tu vai e o retorno é de Jedi.
Bilha, tu vai e o retorno é de Jedi.
Conspirador, tu vai e o retorno é de Jedi.

Deus não fez de um homem um réu, existe o juízo eterno:
Se tu crer tu vai pro céu, não crendo, vai pro inferno.
Pense bem no seu futuro, que vale mais que essa vida
Com o Justo estará seguro lá na Terra Prometida.

O trabalho seguinte já começava a indicar que o sexo seria a marca de sua carreira, o que deixou a mistura ainda mais curiosa. Ao formatar uma espécie de gangsta-gospel pornô, Catra estabeleceu seu legado.

Se fazia ameaças pouco sutis em músicas como “Vacilão vai virar carvão”, acalmava os ânimos com a balada “Líquido do Amor” e ainda louvava ao Senhor na faixa-título “O Esconderijo do Altíssimo”.

Essa última, por sinal, é certamente a mais interessante dos anos de formação do cantor. Uma versão suingada para Salmo 91.

A importância da fé nesse caldeirão de emoções fica ainda mais clara no hit “Seja humilde”: ” Seja humilde, pense bem / Se não fosse Jesus Cristo, Catra não era ninguém”.

* Texto publicado parcialmente na extinta Coluna Chico Barney em julho de 2017

Que descanse em paz o grande músico. E muita força à grande família.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

A matéria As contradições de Mr. Catra: gangsta, gospel e pornográfico foi originalmente publicado em http://chicobarney.blogosfera.uol.com.br/2018/09/09/as-contradicoes-de-mr-catra-gangsta-gospel-e-pornografico/

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