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fev 27

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Fuller House – 1ª Temporada | Crítica

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What ever happend to predictability?” (“O que aconteceu com a previsibilidade?”) perguntava a música-tema de Três é Demais (Full House) em 1987. Era a proposta da série, uma quase cópia de Três Solteirões e Um Bebê, que partia da perda inesperada da mãe de três meninas para criar um lugar seguro, sem surpresas (“A light is waiting to carry you hooooome”/ “uma luz está esperando para levar você para casa”).

Uma geração cresceu com os Tanner ao longo de oito temporadas nos EUA e no mundo, incluindo o Brasil, onde a série foi exibida pela Rede Globo, SBT e Warner Channel. Apegados a D.J. (Candace Cameron Bure), Stephanie (Jodie Sweetin), Michelle (as gêmeas Mary-Kate e Ashley Olsen) e aos tios Jesse (John Stamos), Joey (Dave Coulier) e o pai Danny (Bob Saget), entre outros, um público saudoso acompanhava os atores, vibrava com encontros ocasionais e se perguntava o que teria acontecido com os personagens.

A Netflix aceitou embarcar na nostalgia e responder a essa última questão com Fuller House, uma reunião/derivado com quase todo o elenco original. O resultado é uma série dos anos 90 feita em 2016, trançando um caminho entre a homenagem e a renovação sem nunca realmente se atualizar. Com 13 episódios, o programa foca agora em D.J., recém viúva e com três filhos para criar sozinha. Danny, Jesse e Becky (Lori Loughlin) estão trocando San Francisco por Los Angeles e Joey há anos vive em Las Vegas. Desta vez, são Stephanie e a amiga intrusiva Kimmy Gibbler (Andrea Barber) que assumem a missão de ajudar. Assim, muda apenas a fórmula de gêneros da série, com três meninos para serem criados (mais a filha de Kimmy) por três “mães solteiras”.

A crítica tem detonado Fuller House por sua falta de desenvolvimento de personagens e seus clichês em uma época de comédias para a família mais complexas como Modern Family. Isso, porém, é cobrar do derivado da Netflix algo que Full House nunca foi. Em uma análise técnica é fácil observar que os episódios se resolviam em si mesmos, sempre com uma lição a ser aprendida pelas crianças, e as  piadas eram feitas de clichês, frases de efeito, bordões e fofice infantil. Ainda assim, no seu jeito brega e sentimental, passava uma verdadeira sensação de família: não é perfeita, mas está lá “quando você estiver sozinho e perdido” (“When you’re lost out there and your all alone‘).

Fuller House faz exatamente a mesma coisa, partindo do desejo de previsibilidade da sua canção-tema. O primeiro episódio marca a grande reunião, mostrando o peso da passagem do tempo para quem acompanha a série original – ainda que, como o eterno tio Jesse aponta, todos continuem muito bem passados mais de 20 anos do seu último encontro. É a mesma sensação de visitar um lugar da infância anos depois: familiaridade misturada com estranhamento.

Isso transparece nas primeiras interações entre os atores e justifica a ausência das gêmeas Olsen. Como voltar a uma vida a que não se pertence mais? Algumas piadas são feitas com o desaparecimento da caçula, tratando a recusa das ex-atrizes a fazer uma participação como Michelle como a de filhas ingratas, que desprezam a família que pode envergonhar o seu novo estilo de vida. Essa “cutucada” é injusta, mas compreensível. Há tanta boa vontade em Fuller House que uma esnobada assim soa como um ato egoísta, a recusa de fazer algo simples pelo bem do próximo.

A dedicação dos atores é o que mantém a série ao longo dos seus 13 episódios. Candace Cameron Bure funciona como protagonista e seu carisma americano de “garota da casa ao lado” casa com o papel da viúva que precisa se redescobrir. Jodie Sweetin e Andrea Barber também assumem bem a missão de virar a nova versão dos tios Jesse (jovem sem laços que vai aprender a importância da família) e Joey (o despirocado e infantil com um grande coração). As crianças –  Jackson (Michael Campion), Max (Elias Harger), Ramona (Soni Bringas) e o bebê Tommy (Dashiell e Fox Messitt) -, inicialmente presas na missão de se tornar a nova Michelle, vão aos poucos revelando uma fofice própria. Danny, Jesse, Joey e Becky aparecem ocasionalmente para reacender a chama da nostalgia. Todos comprometidos e cheios das melhores intenções.

Passado o primeiro estranhamento a nova série começa a caminhar, seguindo exatamente pela mesma rota de Três é Demais. Nem todas as piadas são boas, há muitos abraços coletivos (e piadas sobre abraços coletivos), uma boa porção de sentimentalismo, algumas lágrimas induzidas, certos exageros, mas tudo feito com sinceridade, sem tentar ser o que não é. Fuller House pode não conquistar a todos, mas é inofensivo e feito com coração (ainda que tenha enchido também alguns bolsos no meio do caminho). Uma adição perfeita para Netflix, que atende aos fãs, mas não se impõe na programação de ninguém. Você só visita os Tanner se quiser.

 

A matéria Fuller House – 1ª Temporada | Crítica foi originalmente publicado em http://omelete.uol.com.br/series-tv/fuller-house/criticas/?key=106124

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