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maio 04

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Supergirl – 1ª Temporada | Crítica

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Supergirl, em nenhum momento de sua temporada de estreia, tenta ser algo que não é. Como a maioria das séries que permeiam as emissoras abertas da TV americana, os episódios procedurais apresentam o arco da semana, acompanhados dos diferentes vilões que ameaçam National City, além de adicionar um pouco mais à história geral – mas nada além disso. Apesar da produção que não foge à regra, Melissa Benoist entrega uma boa introdução da heroína à TV com a carismática e problemática protagonista Kara Danvers, e é uma ótima adição ao pequeno grupo de protagonistas femininas de hoje.

Os 20 episódios da série têm um pouco de tudo: desde a introdução de Kara à Terra; flashbacks sobre seus primeiros momentos como a alienígena com superpoderes e sua adaptação; sua relação com os colegas de trabalho Winn Schott (Jeremy Jordan) e James Olsen (Mehcad Brooks) que a ajudam na vida dupla, além de Cat Grant (Calista Flockhart), a chefe durona que não sabe quem sua própria assistente realmente é; o envolvimento com o DEO e Hank Henshaw (David Harewood), o Caçador de Marte; a relação com sua irmã, Alex Danvers (Chyler Leigh)… A série dá uma boa pincelada em todos os elementos que compõe a introdução da heroína na TV.

Outra questão que a série aborda são os laços de família que Kara Danvers tem com Clark Kent. Em nenhum momento a série esconde a existência do Superman ou deixa de citá-lo – são diversos menções em situações diferentes, sem nenhuma vez ele precisar aparecer em tela. Com a presença de personagens do mesmo universo dos quadrinhos no cinema e da TV sem existir uma integração que conecte as produções, as limitações das séries de super-herói ficam cada vez maiores, mas Supergirl estabeleceu desde o início que não se apoiaria no fato da heroína ter um familiar super-poderoso e seguiu independente do início ao fim.

Inicialmente, Supergirl parecia querer usar a destruição de Krypton como uma desculpa para tudo. A chegada da heroína à Terra veio acompanhada de Fort Rozz, a prisão de segurança máxima do planeta que havia sido banida para a Zona Fantasma – ou seja, junto de Kara, vieram também os piores criminosos de seu planeta de origem para aterrorizar os humanos. A maioria dos vilões que a heroína enfretou vieram de Fort Rozz, mas logo a produção percebeu que não precisava manter a temática, possivelmente se inspirando no sucesso de The Flash, decidindo focar mais nas histórias individuais dos personagens e na trama geral da série do que em batalhas independentes.

Além do desenvolvimento da heroína com sua família terrestre, principalmente com a protetora irmã Alex, todo o arco de Hank Henshaw também acrescentaram profundidade à narrativa. Para Kara, ter outro bom alienígena como amigo e colega de trabalho é extremamente importante, principalmente por ser um bom treinador que a ajudará com suas habilidades. Da mesma forma, ele também aponta para um importante fator que é o da interferência do super-herói nas vidas humanas que “protege”. Se a série for renovada, certamente veremos mais de J’onn J’onzz e de seus ensinamentos para a jovem heroína.

Supergirl sofreu intensamente em seu ano de debute com o arco geral. A ameaça de Non (Chris Vance), apesar de ser constantemente citada desde os primeiros capítulos, só é de fato revelada e colocada em ação no 19º episódio, o penúltimo da temporada. “Myriad” revela que Non quer preservar a Terra transformando os humanos em escravos que apenas trabalham para melhorar o planeta da lenta destruição que causamos com emissões de gases e outros danos promovidos pela humanidade. Com a ajuda de Índigo (Laura Vandervoot), as duas últimas horas da temporada revelam que o plano está a ponto de ser concluído – quando Supergirl intervem e salva o dia mais uma vez.

Apesar de seus problemas, a série entrega também bons ideais por trás de ideias fracas. Um bom exemplo é esse: todos sabemos que a ameaça nunca se concretizará e o planeta será salvo no fim do dia, como em qualquer outra história de super-herói. Mas Kara não resolve tudo tudo sozinha, é somente com a ajuda de seu time que ela consegue derrotar os vilões que assolam National City. Não há más intenções na primeira temporada da série e ela cumpre seu propósito de introduzir a heroína. Resta saber agora se uma segunda temporada será encomendada para vermos Kara Danvers e seu time em novas situações, possivelmente com mais foco desde o primeiro capítulo.

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